Contribuições científicas e análise da situação atual e pretendida

De Tecnopolíticas
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É sabido que a interação entre Estado e sociedade encontra desafios constantes no que se trata do desenvolvimento colaborativo de políticas públicas voltadas ao planejamento e à gestão do espaço das cidades. Pautas urbanas e territoriais como mobilidade, habitação, sustentabilidade ambiental e infraestrutura impõem-se como temas centrais ao desenvolvimento nacional, mas nem sempre se encontram mecanismos eficazes para que sejam tratadas de maneira articulada entre instituições públicas, sociedade e academia.

As redes digitais de comunicação se expandem e se consolidam em todos os níveis do cotidiano, conformando-se como ferramentas cuja investigação é estratégica para o avanço tecnológico da pesquisa aplicada às metrópoles. Pretende-se dedicar especial atenção ao potencial de tais dispositivos em formar canais de diálogo seja para os cidadãos entre si, com o poder público ou com os estudiosos da área.

Atualmente, identificam-se vários centros de pesquisa de excelência voltados à investigação da tecnologia da informação e do ambiente online (mídias digitais, redes sociais, etc.) e ao tratamento de grandes volumes de dados, em geral vinculado a escolas de comunicação ou das ciências da informação. Da mesma forma, encontram-se também vários núcleos dedicados à pesquisa urbanística e/ou territorial em toda a sua abrangência (aspectos físicos, políticos, geográficos, sócio-econômicos, ambientais, etc.), com reconhecida experiência em atuar junto à sociedade civil e ao Estado. No entanto, o intercâmbio e a interseção entre esses campos de conhecimento ainda não apresenta a mesma consolidação que pode ser observada em cada área de maneira isolada, apesar de revelar um potencial expressivo para a investigação de soluções inovadoras aos problemas urbanos.

A situação pretendida é a formação de uma rede transdisciplinar que articule profundamente o estudo da tecnologia da informação e da comunicação com a pesquisa urbana/territorial, que conquiste avanços acadêmicos e científicos substanciais para o desenvolvimento das metrópoles abordado de forma comprometida com as dimensões ética, política e sócio- espacial.

Acredita-se que dessa maneira se alcançarão contribuições substanciais para todos os grupos de pesquisa envolvidos, expandindo suas possibilidades de investigação a partir de linhas de pesquisa híbridas e criando abertura e flexibilidade para a circulação e para o intercâmbio de pesquisadores entre as diferentes áreas e instituições envolvidas, fortalecendo o caráter transdisciplinar do Instituto proposto. A formação de pesquisadores coloca-se como meta fundamental, mas propõe-se ampliar as possibilidades de formação para a capacitação tecnológica de gestores públicos, de educadores da rede pública e para jovens estudantes do ensino médio ou fundamental.

Dentre as contribuições científicas pretendidas, destacam-se a criação de plataformas colaborativas online, de softwares de código aberto e de aplicações móveis para produção contínua e aberta de mecanismos para a transformação do espaço; o desenvolvimento de hardware livre (sensores, atuadores, computação ambiente, etc.) para a produção de infraestrutura urbana leve; a elaboração de diretrizes, em parceria com o Estado e com a sociedade civil, de diretrizes para o desenvolvimento de políticas públicas urbanas; o tratamento de dados públicos e a produção de visualizações dos mesmos que promovam maior transparência dos serviços públicos.


Explicitação do potencial tecnológico

Elaboração de mecanismos de intervenção, de apropriação e de interação com o ambiente urbano, a partir da criação da plataforma digital online do INCT -TECNOPOLÍTICAS: Territórios Urbanos e Redes Digitais, que disponibilizará informações com o objetivo de ampliar os canais de participação nos processos de tomada de decisões da produção da cidade. Desenvolvimento de dispositivos de interatividade e de aplicativos que garantam conectividade no urbanismo entre pares, cidades opensource e copyleft, em referência direta ao universo informacional. Todas estas ferramentas são concebidas para promover a discussão e a produção contínua e aberta de políticas públicas, onde pesquisadores, Estado e sociedade estarão continuamente envolvidos no processo de produção do espaço urbano.


Detalhamento das ações de transferência de conhecimento à sociedade

Acredita-se que a transferência de informação para a sociedade é um eixo fundamental de atuação para o INCT TECNOPOLÍTICAS: Territórios Urbanos e Redes Digitais. Toma-se como premissa a produção de conhecimento livre, a partir do desenvolvimento de tecnologia social baseada em softwares de código aberto, compreendendo essas ferramentas como importantes mecanismos de ampliação da inclusão digital, de democratização da informação e de empoderamento cidadão.

É possível identificar um grande potencial de exploração dos recursos da tecnologia da informacão em ações vinculadas à juventude. Portanto, pretende-se dedicar muitos esforços nesse sentido, formando parcerias com programas de educação em ciência voltados a alunos do ensino fundamental e médio e promovendo workshops e curtos de curta duração, além de hackatons e de cryptoparties. Como mencionado no item 8, propõe-se criar, também, meios para atrair jovens talentos para as universidades, iniciando-os na trajetória acadêmica.

Partindo daí, pode-se constatar que é igualmente importante articular mecanismos para a capacitação tecnológica de educadores da rede pública de ensino. Entende-se que isso seja fundamental tanto para que esses profissionais possam dar continuidade e expandir as ações de inclusão digital pretendidas mas também porque, muitas vezes, é possível observar uma defasagem entre o universo dos professores e o de seus jovens alunos, muito mais familiarizados com o ambiente das redes digitais.

Propõe-se desenvolver tecnologia social para atuar junto a comunidades em estado de vulnerabilidade social. Dentre os proponentes do instituto, diversos pesquisadores vêm trabalhando em contato constante com grupos da sociedade como: habitantes de favelas e ocupações urbanas, pequenos agricultores urbanos e tribos indígenas. Pretende-se aliar os trabalhos que já vêm sendo desenvolvidos à produção de aplicações móveis e aplicações web e às ferramentas de visualização e simulação territorial para criar mecanismos mais eficientes de autogestão do espaço e de decisão coletiva.

Destacam-se também as pesquisas que vêm sendo desenvolvidas por laboratórios associados na produção de visualização de dados. Coloca-se como objetivo aplicar tais recursos a plataformas online que disponibilizem a visualização de dados públicos de maneira simples e acessível ao público em geral, atuando em parceria com os órgãos gestores das esferas municipais, estaduais e federal, para promover à sociedade maior transparência a respeito das políticas públicas urbanas.

A produção de aplicações móveis ligadas a serviços e recursos urbanos variados é outro eixo de produção de grande relevância. Com esses instrumentos, pretende-se fornecer informações aos habitantes das cidades e permitir que interajam com seu contexto urbano e entre si, a partir de mapas digitais colaborativos, fóruns de discussão, etc. No momento, já vêm sendo desenvolvidos no núcleo regional Belo Horizonte/Ouro Preto um mapa colaborativo da distribuição cultural em BH e uma plataforma para a conexão de agricultores urbanos, que serão abertos à sociedade em geral. Propõe-se expandir essa produção a todos os núcleos e aplicá-la a situações de naturezas diversas.

Para além das plataformas digitais, está prevista também a produção de material gráfico voltado à sociedade civil como posters, cartilhas, folders e fanzines que informem sobre as ações do Instituto e sobre os temas relacionados às redes digitais e ao território urbano, ampliando sua repercussão e seu acesso para além da publicação científica.